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Museu da Vila Velha

A visita à exposição Vila Velha - Novas Memórias inicia-se no Átrio do Museu. A janela que permite vislumbrar o cemitério de S. Dinis e parte da Vila Velha é o ponto de partida para uma história que começa a ser contada através de um videograma, projectado no Auditório do Museu. Aí, o visitante tem um primeiro contacto com a fundação medieval de Vila Real, bem como com os trabalhos arqueológicos realizados na Vila Velha. Após passar mais uma vez pela grande vitrina natural que é a janela do Átrio, o visitante entra na sala de exposições, organizada em duas áreas distintas mas complementares.

 

Um primeiro momento pretende evocar o processo de fundação de Vila Real e as transformações operadas no antigo território de Panóias. À volta das Portas da Vila, entrada principal para a zona intramuros, três peças se destacam, funcionando como elementos agregadores do discurso, complementado por um friso cronológico e por mapas do território: a imagem escultórica de N. Sra. do Desterro, em granito policromo, supostamente do séc. XV, que outrora figurava num nicho da capela homónima, erguida sobre as Portas da Vila; um silhar que se integrava na estrutura das referidas Portas, com a particularidade de exibir as características medidas padrão – a vara e o côvado - usadas em Vila Real e seu termo (elemento proveniente de um muro de suporte do Jardim da Carreira, para onde tinha sido transportado aquando da demolição das Portas); e um "Marco da Redonda", designação pela qual eram conhecidos os marcos graníticos que demarcavam os arrabaldes de Vila Real, tal como mencionado no foral de D. Dinis, datado de 1293. O estatuto de cabeça do antigo território de Panóias, que Vila Real garantiu, é simbolicamente representado por estes três objectos.

Após este primeiro momento, o visitante entra numa área de circulação aleatória, onde contacta de forma mais directa com os elementos arqueológicos, através de cinco núcleos distintos. O primeiro é relativo ao reconhecimento do valor arqueológico da Vila Velha - âmbito, natureza e extensão das intervenções arqueológicas realizadas pelo IPPAR (1996) e pelo recente Programa Polis Vila Real. Outro núcleo expositivo centra-se na percepção da Vila Velha como estrutura urbana medieval, nos seus elementos mais característicos, seja a muralha urbana, as portas ou os vestígios da alcáçova e do antigo urbanismo.Um terceiro núcleo dedica-se à percepção da Vila Velha como espaço dinâmico, encerrando uma longa história, onde se sobrepõem vestígios e valores patrimoniais de vários períodos, desde a Pré-História recente à Época Contemporânea.A ocupação Pré e Proto-histórica é tema para outro núcleo. O quotidiano das comunidades que habitaram este território é percebido através de um conjunto de instrumentos líticos, peças cerâmicas e objectos de adorno e prestígio, representativos de estatuto social ou de actividades como a fiação, a tecelagem ou a moagem de cereais.

Finalmente, num núcleo com carácter mais didáctico, procura-se desvendar princípios e processos do trabalho e da investigação arqueológica, tanto em campo como em gabinete. A mensagem remete também para as "descobertas" que ocorrem posteriormente, à medida que se sistematizam e relacionam os dados registados na escavação. Uma sequência de imagens exibidas em ecrã permite ainda acompanhar a dinâmica do processamento de uma peça arqueológica - neste caso um vaso em cerâmica - desde o momento da sua descoberta no terreno, em estado fragmentado, até à reconstituição e restauro, realizadas em laboratório. O visitante facilmente reconhece tratar-se de uma das peças presentes na exposição, percepcionando-a assim de uma forma diferente.

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